Vem pra luta, vem!

Por Ana Vitória Sampaio. Texto originalmente publicado aqui
LGBTs, vadias e ativistas independentes na luta contra a liberdade de opressão!

O ano de 2013 ficou marcado como cenário de diversas lutas sociais, principalmente no embate contra o fundamentalismo religioso e o seu crescimento na política do país. Fomos derrotados em algumas frentes e vitoriosos em outras. Mas com certeza a chama do ativismo não se apagou. Desde que Marco Feliciano assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, diversos coletivos do DF e ativistas independentes tem marcado presença em protestos na Câmara Federal. Como os nossos atos são realizados quase que semanalmente (e estamos assim há meses!) é difícil manter o ritmo, a paciência e a organização. É difícil reunir uma multidão para encarar a trincheira toda semana, principalmente em uma quarta-feira a tarde, uma vez que a maioria dos ativistas trabalham e estudam.

Mesmo assim estamos cumprindo o nosso papel e incomodando muito os “machinhos do poder” que querem surrupiar a cidadania de LGBTs, mulheres, negros e demais minorias sociais. Se a luta é difícil, estressante e arriscada (afinal temos enfrentado não só os políticos que declararam guerra contra nós, mas também o seu séquito fiel que também tem marcado presença), podemos comprovar ao longo desses meses a força de vontade que nos rege.

Feliciano não saiu da presidência, mas em compensação a CDHM não aprovou um só projeto desde o dia em que virou um culto religioso. De certa forma isso mostra como a atual comissão está despreparada e enfraquecida, e é inviável que um espaço tão importante do Congresso Nacional continue assim.

Entretanto a nossa luta não se limita à CDHM. O fundamentalismo religioso, representado pela Bancada Evangélica, tem agido em outras comissões e projetos importantes. Na última quarta-feira (05/06) o Estatuto do Nascituro foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação. Tal projeto é um retrocesso aos (poucos) direitos reprodutivos das mulheres já conquistados.
No mesmo dia o pastor Silas Malafaia levou cerca de 40.000 pessoas para a Esplanada dos Ministérios na realização da marcha em defesa da “liberdade de expressão” e da família tradicional. Obviamente que tal feito não seria privado de críticas, e mais uma vez os ativistas brasilienses marcaram presença com seus cartazes, gritos de ordem e corpos pintados.
Com cerca de 200 participantes a contra-marcha saiu do Museu Nacional e deu a volta na Esplanada dos Ministérios, justamente onde Malafaia realizava a sua defesa pela liberdade de opressão e de ódio. Eu quase fui agredida por um evangélico quando ele tentou colocar a mão em mim para “repreender os demônios”. Como resposta mandei língua e ele ficou putíssimo! Veio para cima de mim para bater, o que prova que esses fundamentalistas são mesmo violentos e que de pacífica a marcha do Malafaia não tinha nada. Por sorte a polícia estava escoltando o nosso ato e impediu que eu fosse agredida. Aliás, não sou de elogiar a polícia, mas nesse dia ela esteve de parabéns.
Ao contrário dos evangélicos não temos dinheiro para contratar cantores famosos, fretar ônibus e montar toda uma estrutura na Esplanada em um dia útil, afinal, não recebemos dízimo nenhum. Seria muito fácil reunir uma multidão assim. Mas o pessoal que esteve na contra-marcha está de parabéns. Mesmo sabendo dos riscos que corríamos, conseguimos juntar 200 pessoas em um dia de semana para marcar presença na luta contra o ódio. E mais: sem ônibus e sem lanchinho!  (quem são os manifestantes pagos, ein Malafaia?)

Os fundamentalistas podem até conquistar o que querem, mas não sem a nossa reação. Não iremos nos calar diante das anomalias políticas que estragam o país!Foto: Gabriela Pinheiro.

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